Historia em resumo

A mais séria paródia que jamais ouvi foi esta:"No começo era o absurdo, e o absurdo era, por Deus!, e Deus (divino) era o absurdo." Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A caixa


Certa manhã, um homem de nome muito comum, acordou em um quarto composto de paredes inteiramente brancas e no centro uma cama na qual se encontrava deitada tal figura.
De maneira vagarosa ele pôs-se sentado na beira do leito, tomou um pouco de água que fora deixada em um copo ao lado de sua cabeceira e como que num processo de retorno a consciência, pensa:
- O que estou fazendo aqui?
Uma voz de tom grave, do tipo que relacionamos à pessoas extremamente sérias, se projeta de um alto falante localizado ao lado direito do quarto:
-O senhor está sob custódia permanente do rei dessa terra. Sua liberdade será anunciada segundo a vontade de nossa majestade. Qualquer tentativa de fuga é irrelevante, pois as paredes de seus aposentos são intransponíveis e o lado externo se encontra fortemente guardado.
- Qual o motivo de minha vinda à este lugar? Indaga o homem.
- O rei deseja vê-lo e pede encarecidamente que aguarde o tempo necessário.
Assim faz o homem durante cerca de cinqüenta anos.
No aniversário de setenta e cinco anos, as portas se abrem sem nenhuma explicação. Assustado, o homem que a essa altura se locomove com dificuldade, aproxima-se da porta e projeta o rosto para o lado externo do aposento com cautela. Deparando-se com uma atmosfera totalmente artificial, percebe que as paredes que para ele, durante longos cinqüenta anos, foram de concreto massiço não passavam de uma camada de madeira fina e papel, uma espécie de cenário cinematográfico.
O homem que estava prostrado de joelhos no chão, carregava uma expressão de espanto no rosto e balbuciava algo como:
- Cinqüenta anos, cinqüenta anos...
Ulisses Maciel

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Religião como inexplicação da realidade.

Um dos grandes problemas da existência humana é a necessidade absurda de levantar perguntas sem respostas, como, por exemplo, a origem do universo. Mesmo que essas respostas existissem não seriam compreendidas pelo nosso intelecto; o que deveria, diante dessa impossibilidade, nos colocar em estado de inatividade, mas ao contrário, criamos uma série de estórias fantasiosas ao redor do mundo que, de tão absurdas, exigem de nós uma espécie de essência espiritual - fé - que ao meu entender se deve ao ato de acreditar em tudo o que é dito por homens que acreditam dizer o que foi dito por Deus. Não há nada que limite mais o espírito humano do que a fé. Tal sentimento nos impede de enxergar a mentira mais óbvia, a nós imposta como verdade absoluta.

Para identificar quando um determinado problema surge, é preciso desenhar, de forma a fazer entender a mente de um indivíduo com fé. Esse, só considera naturais os elos de ligação por ele alcançados, o que dispensa de certa forma um apelo metafísico, todos os demais fatores serão considerados sagrados ou profanos.

Acredito que tudo o que ocorre seja um conjunto de ações interligadas, sendo assim, tudo é natural e o sobrenatural se desfaz; mesmo que esse natural se encontre em um elo tão distante que por mim não posse ser explicado. O apelo para o além do natural se da ao não desejo de abandonar os dogmas e crendices estabelecidas em nossa sociedade escravocrata por séculos. O termo escravocrata deve ser entendido com base no conceito de Nietzsche quando afirma que “aquele que não possui dois terços do dia para si é um escravo... se precisamos de escravos para que educá-los”.

Considerando que cerca de noventa por cento da população se encontra enquadrada dentro dessa definição de escravos estabelecida por Nietzsche, podemos dizer que quanto mais ignorante o indivíduo, mais limitada sua visão; o que lhe impede de alcançar os elos mais distantes e com isso sua independência.

O nível de religiosidade pode ser medido em contraposição com nível intelectual de um indivíduo, ou seja, quanto mais ignorante mais religioso se torna.

Ulisses Maciel

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Poesia e tradução

Antes de tocar no ponto principal deste post, penso que seja de fundamental importância definir poesia, o ato de escrevê-la e como ela deve ser entendida. Usarei, por está de acordo, a definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre que diz o seguinte: “A poesia não se serve de palavras; mas sim, as serve. Os poetas são homens que recusam a utilização da linguagem. Eles tampouco aspiram a nomear o mundo, e por isso não nomeiam nada, pois a nomeação implica um perpetuo sacrifício do nome ao objeto nomeado. Com isso se afasta por completo da linguagem–instrumento; escolheu de uma vez por todas a atitude poética que considera as palavras como coisas e não como signos. Pois a ambigüidade do signo implica que se possa interpretá-lo de forma a visar através dele a coisa significada, ou voltar para a realidade do signo e considerá-lo como objeto”.

Sartre ainda considera o processo de composição poética como algo semelhante aos pintores quando juntam cores sobre a tela; o poeta ao escrever uma frase cria um objeto; aparência. As palavras-coisas se agrupam por associações mágicas de conveniência ou não-conveniência, como as cores e os sons; elas se atraem, se repelem se queimam e sua associação compõe a verdadeira unidade poética que é a frase-objeto.

Levando em consideração a comparação de Sartre entre poesia e pintura, posso me arriscar em afirmar que ao traduzir um poema, estaria fazendo algo semelhante ao expositor, que,ao levar uma obra de Portinari para Europa, decide retirar de suas gravuras o sol escaldante do sertão e trocá-las por uma típica nevasca européia.

Com isso acredito que ao traduzir um poema se mutila e se destrói a propriedade do poeta e da língua, assim como o poema em si.



Ulisses Maciel

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ilha das flores

A utilidade da Filosofia

O senso comum de nossa sociedade considera útil o que dá prestigio, poder fama e riqueza. Julga o útil pelos resultados visíveis das coisas e das ações, identificando utilidade e a famosa expressão “levar vantagem em tudo". Desse ponto de vista, a Filosofia é inteiramente inútil e defende o direito de ser inútil.
Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.



Marilena Chauí

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Linguagem como parte fundamental na formação do mundo.

O mundo se constitui de uma formação interdependente entre o indivíduo e a realidade, na qual o indivíduo é parte formadora do mundo e se forma a partir dele. Tal pensamento encontra suporte na análise do filósofo checo - brasileiro Vilém Flusser quando ao explicar a nossa relação com o mundo através da linguagem, afirma que a realidade bruta é por nós absorvida por meio dos sentidos, transformada em linguagem por nós compreendida (pensamento) e expressos através do intelecto em direção dos sentidos; nesse ultimo processo deixamos de ser transformados para sermos transformadores do mundo.

Sendo a compreensão da realidade em si uma tarefa inalcançável e a representação dessa realidade através da linguagem tão impossível quanto a sua compreensão, resta-nos a não busca por essa realidade bruta, mas sim, a representação da única realidade a nós possível, a realidade como representação através da linguagem estabelecida numa comunicação entre sentidos, intelecto e inteligência.

REALIDADE EM SI > SENTIDOS >INTELECTO>INTELIGÊNCIA = REALIDADE POSSÍVEL

Sendo assim me arrisco a demonstrar a relação entre o indivíduo e a realidade através do pensamento. E como esse envolvimento é responsável pela construção de nossa idéia de realidade, de forma constante e sem nenhuma interferência, se não a de nós sobre nós mesmos. Somos os únicos responsáveis pela condição em que vivemos; não eu;, não você, não Deus, não o Diabo, mas nós; numa cadeia inseparável de ações.


Ulisses Maciel

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um dilema de Camus

"Ou não somos livres e o responsável pelo mal é Deus todo-poderoso, ou somos livres e responsáveis, mas Deus não é todo-poderoso."

Albert Camus

sábado, 11 de dezembro de 2010

À liberdade de expressão proposta pela imprensa.

Confunde-se muito nos dias de hoje a relação entre liberdade de expressão com direito de expressar o que vem a cabeça, sem levar em consideração o valor do que será dito; o popularmente conhecido pelo termo cagar pela boca. Apesar do termo, não haveria forma melhor de classificar o papo fiado que muitas vezes perdura por horas na TV brasileira. F. Silva, um dos mais famosos apresentadores da TV, membro permanente e um dos maiores representantes da maior emissora do país, serve aqui como exemplo mor, não querendo de forma alguma menosprezar as outras emissoras responsáveis por essa merda que nos é empurrada goela abaixo por décadas. Desta forma torna-se difícil montar no Brasil uma figura capaz de representar a cultura brasileira como espelho para formação de uma população esclarecida, abandonando assim a referência pejorativa do termo povo, massa, como uma parcela da população desprovida de inteligência.

Ulisses Maciel

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Monólogo - Eu inacabado

Eu me encontro numa sala não diferente de muitas outras por ai, rodeado de livros os quais nunca li, nada muda à minha percepção, nada, exceto eu.

Mudo mesmo contra a minha vontade, todo o esforço que faço para permanecer o mesmo é em vão. Tive uma idéia, e se eu eliminar todos os espelhos? Isso mesmo, todos os espelhos, talvez nem mesmo eu, mude à minha percepção.

Ouvi certa vez, ou será que eu li? Não, acredito que não, não leio nada. Se tivesse nascido cego não me faria diferença, sendo assim, acredito que tenha chegado a essa conclusão sozinho. Que conclusão? Você deve estar se perguntando. Que a vida é como uma doença degenerativa, ela te mata com o passar do tempo, os sintomas são diferentes, o sofrimento existe, porém boa parte das vezes respeita uma regularidade suportável.

Eu me encontro numa sala não diferente de muitas outras por ai, rodeado de livros os quais todos li, tudo muda a minha percepção, tudo, exceto eu.

Não que eu não mude em relação ao mundo, mas o mundo insiste em não mudar em relação a mim.

Ouvi certa vez, ou será que eu li Certamente eu li, ninguém seria capaz de me dizer algo tão profundo. O que eu li? você deve estar se perguntando. Que a vida é como uma doença degenerativa, ela te mata com o passar do tempo, os sintomas não são diferentes, o sofrimento existe, porem boa parte das vezes respeita uma regularidade suportável.

Ulisses Maciel

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Deus misericordioso ?".

Estando os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. Os que o acharam apanhando lenha trouxeram-no a Moisés e a Arão, e a toda congregação, e o puseram sobre guarda, porque ainda não estava determinado o que se devia fazer com ele. Então disse o Senhor a Moisés: Tal homem será morto. Toda congregação o apedrejará fora do acampamento. Portanto, toda congregação o levou para fora do acampamento, e o apedrejaram até que morreu, como o Senhor ordenara a Moisés.

Números, 15, 32-36

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

The Atheism Tapes


Download - Copie e cole o link
http://downloads.ziddu.com/downloadfile/6954859/Ateismo.by.Heverton.www.bestdocs.com.br.txt.html

A moral

A moral tem sua concepção no resultado de crenças em verdades, conceitos de bem e mal, impostos no decorrer dos séculos sem objeção. Sendo cristalizadas na mente das pessoas, dificultam, se não impossibilitam a busca por uma segunda análise ou opinião. Não venho recriminar toda e qualquer forma de moral vigente, porém, cabe aqui, sim, analisar alguns dos hábitos considerados por nós morais ou imorais e porque o fazemos.
No velho testamento da Bíblia mais precisamente em Levítico, capitulo vinte, versículo treze diz: se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos fizeram abominação. Certamente serão mortos, e o seu sangue será sobre eles. Mais adiante temos no capitulo vinte e um versículos dezoito, a seguinte citação: Nenhum homem, caso tenha defeito físico, se chegara para oferecer o pão do seu Deus, nenhum homem que seja cego, coxo, desfigurado ou deformado.
Esses são apenas dois pequenos versos do maior guia moral da humanidade, que nos aconselha às praticas mais sórdidas de preconceito e discriminação e que por séculos nos levou a queimar, torturar, extorquir, reprimir e eliminar qualquer indivíduo por simplesmente divergir idéias.

Ulisses Maciel

terça-feira, 21 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Língua e Realidade

Pensando a respeito da relação entre língua(gem) e realidade chequei a conclusão de que a linguagem seja ela verbal ou imagética se relaciona com o objeto assim como nós nos relacionamos com a realidade, a língua(gem) pode ser entendida como uma busca pela representação do mundo através das palavras, porém quando escrevo, escrevo palavras e não o mundo que busco representar. Da mesma forma quando em contato com a “realidade” essa se faz a realidade dos sentidos, não sendo possível perceber-la em si; o que nos torna indivíduos com distintas interpretações do mundo. Se fosse possível a nós enxergar a realidade em si, nada mais natural do que obtermos a mesma interpretação do objeto, Friedrich Nietzsche em seu Humano Demasiado Humano I, afirma que o homem pensou ter realmente na linguagem conhecido o mundo. Ele afirma ainda que o criador da linguagem não foi modesto a ponto de crer que dava as coisas apenas denominações, mas imaginou, sim, exprimir com as palavras o supremo saber das coisas.

Ulisses Maciel